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RECORDAR É PREVER

Embora já não fosse tão poderoso como aquele que havia vencido o campeonato inglês sem sofrer derrota alguma, havia certo brilho naquele time que passara por gigantes como Juventus e Real Madrid, e numa disputa acirrada alijara o modesto Villareal da disputa pelo título da UEFA Champions League.


Sofri demais por aquela derrota para o Barcelona, pois o Arsenal poderia ter vencido a partida mesmo com um jogador a menos e uma postura acuada, visando o contragolpe com Thierry Henry. Um título da UCL seria a mais gloriosa coroa para o excelente trabalho de Arsene Wenger a frente do time – uma pena.

Na transição de temporadas, durante a janela de transferências, passei a questionar as movimentações que ocorreram. Deixaram o time jogadores importantíssimos como Sol Campbell, Ashley Cole, Robert Pires, José Antonio Reyes e Dennis Bergkamp. Esse último se aposentara depois de uma gloriosa carreira a serviços dos Gunners, já os demais partiram para novos clubes.

O central Sol Campbell, a peça principal da sólida defesa, foi para o Portsmouth onde provou que ainda possuía muita lenha para queimar, ou seja, muito a contribuir com sua experiência, liderança e capacidade técnica.

O lateral Ashley Cole, titular da seleção inglesa e válvula de escape do setor esquerdo, foi seduzido pelas libras oferecidas pelo magnata russo Roman Abramovich e se transferiu para o então novo grande inglês, o Chelsea.

O meio-campista Robert Pires, com uma longa ficha de serviços prestados em Highbury Park, não teve a mesma sorte que Bergkamp de se aposentar em Londres, se transferindo para o Villareal, onde não chegou a brilhar.

O meia-atacante José Antonio Reyes, que declarou não se adaptar ao clima frio e úmido de Londres, cedeu ao assédio e forçou sua saída para o Real Madrid, onde iniciou uma espiral descendente em sua carreira vertiginosamente ascendente até então (e tinha tudo para brilhar muito no Arsenal).

Esperava que para baixas dessa importância Arsene Wenger trouxesse os reforços adequados. Mas, para minha surpresa chegaram William Gallas, Júlio Baptista e Emmanuel Adebayor, embora bons jogadores, todos reservas em seus clubes.

Entendi que o elenco estaria mais fraco a partir de então, algo que se confirmou na temporada em que o time não empolgou.

Novo fim de temporada e novas baixas, dessa vez, irreparáveis: Fredrick Ljungberg e Thierry Henry.

O francês, eterno apaixonado pelo clube e maior ídolo de todos os tempos, cedeu finalmente ao assédio do Barcelona. Já o sueco deixou o Emirates Stadium resmungando sobre a política de contratações de Arsene Wenger, que enfraqueceu demais o elenco nos dois últimos anos (algo que o próprio Henry viria a questionar e hoje Kolo Toure contestou antes de deixar o Emirates).

Reforços chegaram: Lukasz Fabianski, Bakary Sagna e Eduardo da Silva. Nomes que não empolgaram, exceto talvez pelo do artilheiro brasileiro naturalizado croata que, embora soubéssemos de sua qualidade, não poderia se equiparar a Henry.

Contrariando prognósticos desfavoráveis o time empolgou. Wenger renovou o time e as apostas do treinador vingaram. Nomes como Gael Clichy, Mathieu Flamini, Cesc Fabregas, Alexander Hleb, Robin van Persie e Emmanuel Adebayor aguçaram a cobiça do mercado da bola.

Vieram novas baixas. Enquanto Hleb se juntou a Henry no Barcelona, Flamini partiu para o Milan junto com Philippe Senderos. O time também perdeu o experiente Gilberto, transferido para o futebol grego, além de Jens Lehmann, que regressara para sua terra natal.

Novamente um único reforço empolgante, Samir Nasri. Os outros nomes da lista: Aaron Ramsey, Amaury Bischoff e Mikael Silvestre não estavam nos sonhos dos torcedores. Só mesmo a chegada de Andrey Arshavin na janela de Janeiro acrescentaria poder ao time e reascenderia a esperança de dias gloriosos.

Ao final da pior temporada do Arsene Wenger a frente do Arsenal problemas graves ficaram estampados.

Manuel Almunia não tem a mesma presença de outros donos da camisa número um, como David Seaman e Jens Lehmann. O espanhol não está no degrau mais alto dos goleiros da Premier League.

A dupla de defensores centrais formada por Kolo Toure e William Gallas não têm um substituto a altura. Johan Djourou e Mikael Silvestre fizeram a alegria dos avançados adversários.

Cesc Fabregas não tem um parceiro ideal, todos os candidatos ao posto vital para a estrutura do time naufragaram: Denílson mediano demais, Abou Diaby displicente demais e Alexander Song brucutu demais.

Sem poder contar com Tomas Rosicky, em longa estadia no estaleiro, faltou uma opção de qualidade para Wenger compor o setor de articulação do time. Emmanuel Eboue e Theo Walcott naufragaram nesse expediente. O primeiro é um ótimo lateral, não um meia-armador. O segundo precisa melhorar no toque de bola e criar outras jogadas além de cortar para a linha de fundo para tentar um cruzamento.

Também sem Eduardo em recuperação da grave contusão da temporada passada, Robin van Persie e Emmanuel Adebayor não tiveram uma sombra. Nicklas Bendtner apesar de ter melhorado sua produção de gols continuou se atrapalhando com a bola nos pés e destruindo as jogadas inteligentes e velozes do Arsenal. Carlos Vela não teve oportunidades.

Vamos concluindo... Em minha jornada revisionista quero antecipar algumas das agruras que sobrevirão ao time na temporada 2009-2010, fruto da interpretação dessa ciranda de enfraquecimento que vem se seguindo temporada após temporada.

Situação crítica no miolo da zaga. Com a saída de Kolo Toure e a chegada de Thomas Vermaelen o saldo do setor continua o mesmo, ou seja, na ausência de um deles não há substituto que mantenha o nível técnico. Com Johan Djourou, Philippe Senderos e Mikael Silvestre o miolo defensivo pode ficar vulnerável demais.

Arsene Wenger ainda não trouxe o meio-campista central que deveria dar o equilíbrio que a equipe possuía com Mathieu Flamini. Portanto, ele necessita de dois homens de proteção para dar consistência ao setor. Porém, conta apenas com dois jogadores com características para tal função: Denilson e Song. Outras opções, Abou Diaby e Aaron Ramsey, são jogadores de características mais ofensivas.

Na parte criativa do meio-campo vejo um sinal amarelo: Tomas Rosicky pode a qualquer momento voltar a ser desfalque ou não jogar como antes dos 18 meses no estaleiro. Samir Nasri pode demorar a engrenar depois da fratura que sofreu na pré-temporada (ô zica). Cesc Fabregas vai seguir sobrecarregado, agora com a missão de organizar, servir e marcar gols. Quando se ausentar teremos que agüentar os nomes que nos aborreceram na temporada passada por seu rendimento pífio.

No ataque o sinal verde dependerá da escalação de Eduardo como atacante. Com Nicklas Bendtner creio que sucumbiremos. Ainda mais com o dinamarquês como ponteiro direito. Já Robin van Persie será deslocado por Arsene Wenger para realizar uma nova função, algo como um pivô na intermediária ofensiva, organizando e se aproximando do gol (e pode ser sacrificado por lá), deixando o time sem um homem de referência enquanto jogarmos nesse falso 4-3-3.

Já Andrey Arshavin será mantido como meia-atacante pelo lado esquerdo e não pelo centro, onde deseja atuar e mostrou alta capacidade de destruir sistemas de marcação e cobertura.

Os problemas podem ser graves, mas podem ser solucionados com três medidas: a contratação de mais um defensor para melhor o nível das opções para o miolo da defesa, um meio-campista para fortalecer o setor e um atacante de referência para o ataque. É claro que o Arsenal tem dinheiro em caixa para contratar e quem toma decisões por lá é Arsene Wenger, não eu.

Por conta disso poderemos sofrer mais um temporada com o Arsenal em quarto lugar na Premier League e uma eliminação nas quartas-de-final da UEFA Champions League.

Espero honestamente estar equivocado e que Arsene Wenger conduza o elenco a títulos.



Escrito por Johnny às 21h50
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